Marielle Presente: morte de ativista comove brasileiros e repercute no mundo



Morreu.
Morreu a preta da maré,
a negra fugida da senzala
que foi sentar com "os dotô" na sala
e falar de igual pra igual com "os homi".
A negra que burlou a fome de se saber,
que fez crescer dentro dela, o conhecimento.
Aquela, que por um momento de humanidade,
sonhou com a justiça, lutou por liberdade
e ousou ir mais alto,
do que permitia sua cor.
"Mas preta sabida, não pode!
Muito menos pobre! Não tem valor."
Diziam as más línguas na multidão.
E ela ousou tirar seus pés do chão.
Morreu.
Morreu a "preta sem noção",
que falava a verdade na cara do patrão,
que carregava a coragem, como bagagem,
no coração.
O tiro foi certo,
acertou com maldade,
ecoando seco no centro da cidade.

Anielli - Poeta de V Redonda
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Mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré, assim se apresentava Marielle Franco. A vereadora pelo PSOL-RJ, de 38 anos, que tinha orgulho de seu povo e de sua história foi brutalmente assassinada com quatro tiros, na quarta-feira, 14, no Rio de Janeiro.

Marielle voltava de um evento chamado "Jovens Negras Movendo as Estruturas" quando seu carro foi alvejado por volta das 21h30, no Estácio. O motorista Anderson Gomes, de 39 anos, também foi morto. Além deles, estavam no veículo uma assessora, que sobreviveu e já prestou depoimento à polícia.




Marielle e Anderson não foram os únicos a morrer. Com eles, um pouco das mulheres, dos negros, dos LGBTQs, dos pobres e de toda gente por quem a guerreira lutava também pereceu. Morreu um naco de todos aqueles que acreditam em um país mais justo e igualitário.




Que não seja em vão. Que a dor e a indignação sejam catalisadoras da mudança e frutifiquem o que há de Marielle em cada um de nós.

"Quiseram te enterrar, mas não sabiam que era semente" #MariellePresente




"Morreu a Preta da Maré":



Quatro dias antes de ser assassinada, Marielle fez uma pergunta quase profética: "Quantos mais vão precisar morrer?"




"Parem de nos matar", pediu:




Cronologia de um crime em uma charge:



Cronologia de um crime em um tweet:




"Mataram minha mãe e mais 46 mil eleitores", desabafa a filha de Marielle, Luyara Santos. A estudante postou a mensagem no Facebook na quinta-feira, 15.




A jovem faz referência aos 46 mil votos que a mãe recebeu na eleição de 2016 quando foi eleita como quinta vereadora mais votada no Rio.


Ongs do Complexo da Maré manifestaram seu repúdio contra o assassinato brutal de Marielle Franco:



"Nós moradores da Maré estamos chorando nesse momento sem acreditar nessa tamanha covardia, ela lutava bravamente com garra naquilo que ela acreditava, suas memórias ficaram guardadas pra sempre", escreveu uma moradora nas redes sociais.



O crime chocou e revoltou brasileiros por todo o país.

Milhares de pessoas tomaram a Paulista para honrar a memória de Marielle Franco. Manifestantes pedem o fim do genocídio da juventude negra e exigem justiça. Curitiba também foi às ruas em memória de MarielleEm Manaus, movimentos sociais prestam homenagem à vereadora.




Famosos também se manifestaram.

Drica Moraes, Claudia Abreu, Alinne Moraes, Caio Blat, Luisa Arraes, Mariana Lima e outros artistas foram a ato pela morte de Marielle e Anderson no Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu na praça da Cinelândia nesta quinta-feira, 15.



Caetano Veloso dedica show a Marielle e Anderson. Apresentação acontece na noite desta quinta-feira, 15, no Rio.



O cantor, Carol Conka e outros famosos prestaram homenagens à ativista nas redes sociais:



A Morte de Marielle Franco também causou comoção entre políticos e ativistas.




Vários atos pela memória de Marielle estão sendo marcados por todo o país. Também há eventos em homenagem à ativista no Facebook.

A "Marcha contra o genocídio negro! SOMOS Marielle Franco!", na quinta-feira, 15, teve 37 mil pessoas confirmadas, outros 53 mil demonstraram interesse.



assassinato de Marielle repercutiu ao redor do mundoProtestos reúnem dezenas de pessoas em Lisboa e Nova York. Em NY, brasileiros se reuniram em frente ao monumento de George Washington.

Na Argentina, Mães da Praça de Maio homenageiam a vereadora. As mães de desaparecidos na ditadura militar argentina, que se reúnem semanalmente na Praça de Maio, ergueram cartazes com fotos de Marielle e frases repudiando o assassinato de "lutadores populares". The Guardian, NYT e a agência EFE dedicaram matérias à morte de Marielle.



Segundo o jornal El Pais, assassinato de Marielle Franco põe Planalto contra a parede. Com a segurança do Rio de Janeiro sob controle de um general, cabe ao Governo federal solucionar duplo homicídio de vereadora e motorista, pontua.

A palavra "Marielle" e a hashtag #MariellePresente entraram no trending topics mundial, lista dos assuntos mais comentados em todo o mundo no Twitter.

Infelizmente, a morte da ativista não causou apenas tristeza e comoção. Algumas pessoas estão questionado o que chamam de "estardalhaço".



Pior, tem gente colocando seu caráter em dúvida e julgando suas ações: "Ela foi morta pelos bandidos que defendia".



Não irei replicar mensagens de ódio, em vez disso:




Que tal saber como agir nessa situação?


Importante lembrar que:


Confira outras homenagens e mensagens de pesar:


















Uma publicação compartilhada por Luisa Arraes (@luisaarraes) em


Uma publicação compartilhada por Mariana Lima (@marianalima1972) em


















Minha irmã amiga de tantas lutas, de tantos risos, sonhos, choros e abraços. Que saudade vou sentir de você. Corta o peito! Como foi difícil e bonito ver seu nome nos cartazes e vozes de tantos jovens nas ruas do Rio. Nas mesmas ruas que andamos juntos, hoje vi uma multidão chorar e transformar você num símbolo de tudo que você foi. Foi não! É! Mari. Como eu queria que você estivesse comigo hoje na Alerj e na Cinelândia. Você sempre esteve ali comigo. Foi a primeira vez que fui sem você. Não é que você estava lá!? Estava nos sonhos de toda uma geração! Que coisa bonita, amiga. Quanto orgulho sinto de você! Você sabe! Seu nome estava em todos os lugares do mundo! Lembrei das inúmeras reuniões que fizemos com o povo da comissão, dos casos que atendemos, das visitas nas prisões e nas conversas nas favelas. Seus olhos sempre brilharam. Hoje, vi que aquilo tudo que você fez virou referência no mundo. Nenhum covarde vai te calar. Seu sorriso, seu abraço e teu amor vou carregar para sempre. Muito obrigado por tudo. Hoje fui forte, como sempre combinamos. Agora, em casa, desabo. Você foi uma das melhores coisas que tive na vida. Vou ficar perto da sua família. Te prometo. Fique em paz. Amo você!
Uma publicação compartilhada por Marcelo Freixo (@marcelofreixo) em










"Marielle Franco trabalhava por igualdade de direitos e proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade. Não conseguimos protegê-la, mas seu legado não será em vão", diz a postagem do canal GNT que acompanha um trecho do vídeo "Primavera Mulheres".



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